Indicações

Indicações #2 – Tirinhas, ética e jeans

Finalmente chegamos ao capítulo 10 das indicações e foi um pouco mais difícil do que eu achava. Dificuldades técnicas, atrasos e muita coisa para fazer. As redes sociais ainda estão sendo atualizadas, mas eu agradeço muito a sua visita constante. Se você gosta dos textos, prepare-se para o que vem a seguir, e eu gostaria de ouvir um feedback seu. Seja de forma privada ou pública, é sempre bom ouvir onde podemos melhorar.

Dito isso, chegamos em uma das minhas categorias preferidas que é onde eu indico uma leitura, um filme, um vídeo ou algo inspirador para vocês. Acho que depois de alguns textos é bom dar um respiro e equilibrar com um pouco de indicações diferentes. Separei um designer que faz maravilhosas tirinhas, uma série divertida sobre ética e um documentário sobre jeans e o trabalho. Falamos sobre as tirinhas e ética, deixamos o jeans e o trabalho para o final.

Um Sábado Qualquer

A primeira das indicações de hoje é muito especial para mim, pois é um site que eu leio já há alguns anos e dou muitas risadas. O dono do site é um cartunista que me encantou com as suas tirinhas, em especial as de crítica social. Carlos Ruas é o criador do site Um Sábado Qualquer e das tirinhas do Boteco dos Deuses, Cães e Gatos, Mundo Avesso entre outras. Trocamos e-mails antes da criação desse site e na época ele me deu uma força para seguir em frente quando eu estava em dúvidas. No lançamento do seu livro Mundo Avesso pelo Catarse, fiquei feliz em fazer parte porque além de ser fã, queria que fosse o primeiro livro do meu consultório.

O Ruas tem uma linguagem bastante crítica e é muito pontual em algumas tirinhas mas também explode de emoção nas outras como as do Cão e Gato. Existem diferentes materiais para você curtir no site, além de material o suficiente para você se divertir por meses. Ser crítico e pensar sobre o que é ser humano sempre fez parte da humanidade desde o início dos tempos como a filosofia nos ensina.

Consequentemente, pensamos sobre como essas aflições mentais acometiam o corpo (e vice-versa) e criamos uma nova ciência: a Psicologia. Sim, a Psicologia nasceu do estudo entre os processos mentais e como eles afetam o corpo. Pensar sobre os pensamentos e sobre a nossa existência sempre foram uma constância humana. E se formos analisar a sociedade e o cotidiano de forma crítica, então por que não fazer isso de forma divertida através de tirinhas? Você pode acessar o site clicando aqui.

A moral e a ética no paraíso como indicações

Ok, você acabou de morrer e foi para o paraíso. Ao acordar, descobre que o paraíso é cheio de lojas de frozen yogurt onde você nunca mais passará qualquer necessidade por toda a eternidade. Essa é a premissa da série que é a terceira das indicações (originalmente criada pela NBC) chamada The Good Place (“O lugar bom”, em tradução literal). A série versa com as aulas de ética que tivemos na faculdade e é muito interessante. Além de divertida ela lida com dilemas morais ora muito banais ora muito complexos de ser uma pessoa boa. Foi um sucesso assim que lançada e deveria ser conhecida por mais pessoas.

Ser uma pessoa boa sempre foi um dogma das religiões, porém existe uma área neutra muito grande entre o que é ser bom ou mau. Podemos ser éticos e sermos considerados pessoas ruins. Também existe a possibilidade de realmente acreditarmos que estamos fazendo o certo e não ser verdade. Ética e moral são muito discutidas e com um toque de humor, com certeza foram mais divertidas que algumas das aulas que tivemos.

A série está disponível atualmente na Netflix para assistir ou você pode clicar aqui.

A indústria de jeans e o trabalho

Chegando na próxima das indicações, vamos a um documentário agora. Nas aulas que tivemos sobre trabalho e saúde mental, falamos muito sobre como o trabalho pode ajudar e ao mesmo tempo adoecer o homem. Existem formas de trabalho que utilizam mão de obra quase escrava em outros países e do outro lado do espectro, países onde trabalhar é muito mais divertido. Entre tantas diferenças fomos apresentados a esse documentário chamado China Blue (“azul chinês” em tradução literal) de 2005. Ele mostra como funcionam algumas das fábricas de jeans da indústria chinesa, suas jornadas de trabalho exaustivas e os trabalhadores que se submetem a elas. Disponível no Youtube com legendas em português, o curta mostra a vida de jovens adolescentes que deixam a família em regiões mais humildes da China para poderem trabalhar nas fábricas.

Você fica um pouco chocado ao notar que a calça ou bermuda que está usando nesse exato momento pode ter sido fabricada e vendido daquela forma por alguns daqueles jovens. Surpreendentemente também descobre que muitos deles são orientados pelos pais a trabalharem nas fábricas e que não existem muitas opções em regiões mais remotas: ou você trabalha incansavelmente ou você passa fome. Isso faz você olhar ao redor com mais critério no seu próprio país e pensar sobre como são as formas de exploração do trabalho. O documentário é maravilhoso e muito emocionante, foi muito bem aclamado pela crítica e está disponível gratuitamente na internet.

Eu sempre gostei de tirinhas e como elas são utilizadas há décadas como formas de exercitar o pensamento reflexivo de uma forma simples e divertida. Da mesma forma que as séries trazem a moral e a ética não da forma chata, mas com questionamentos diários e que realmente funcionam. E o documentário sobre jeans foi um dos que me deixaram mais chocados no início da faculdade. Claro que a gente sabe que existe o trabalho explorado intensamente, mas é diferente quando a gente mergulha em um documentário sobre o assunto. Obrigado pela atenção e te vejo no próximo capítulo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *