Relacionamentos

Capítulo 9 – Orgulho e Preconceito, 1813

O título dessa postagem é baseado no famoso livro da escritora britânica Jane Austin “Orgulho e Preconceito”, lançado no ano mencionado acima (também existente na versão de cinema). Embora os romances de Jane Austin façam muito bem aos olhos de qualquer leitor, estamos nesse caso apenas pegando emprestado o título para falar de um assunto que se repete em muitos relacionamentos: a incapacidade de uma das partes em tratar a outra como igual.

Por muitos séculos, assim como nos romances antigos vimos uma repetição de homens misteriosos salvando donzelas em perigo. Centenas de livros seguem repetindo essa fórmula, alguns sendo sucesso de vendas e no fim a donzela resgatada segue devota por toda a vida a seu salvador. Bom, é tudo muito lindo mas estamos em 2021 e as coisas não funcionam mais dessa forma. As mulheres trabalham, não precisam ser sustentadas por homens poderosos e o homem misterioso perdeu boa parte do seu encanto. Infelizmente muitos relacionamentos ainda seguem as regras dos livros de 1800 com pouca ou nenhuma evolução desde então. Em algumas versões da história a mulher comanda e o homem obedece mas isso não se aplica na maioria das vezes. Veja bem, não existe problema em salvar alguém de uma situação ruim, isso acontece muito. O problema é colocar isso como ideal e perpetuá-lo para todo o sempre.

Orgulho e Preconceito, 2021

Nos relacionamentos modernos, mesmo com vários tipos de liberdade que possuímos, dificilmente você encontrará um membro do casal que trate como igual seu cônjuge. Mesmo ganhando mais, cuidando de tudo, nada nunca é o suficiente para agradá-lo. Muitos namorados, esposas, amigos e colegas (sim pois isso também acontece em relações não amorosas) não veem o cônjuge como seu igual e sim como uma forma inferior, fraca e menor. O indivíduo decide onde jantar, o que pedir, a decisão final é sempre dele. As relações de poder estão bem visíveis aqui: ele tem o dinheiro, o poder, e consequentemente o controle da relação.

Orgulho e preconceito andam aqui de mãos dadas impedindo que o outro seja visto ou tratado como igual e isso causa sofrimento, possíveis discussões e até términos de relacionamento. Para muitos homens, ceder algum poder no relacionamento é perder um pouco da sua masculinidade e ver a esposa como igual torna-se vergonhoso de uma forma inaceitável. Alguns até permitem uma certa liberdade às esposas, porém de forma controlada e contida. Não é estranho que apenas uma pessoa tome as decisões em uma vida em que duas pessoas dividem? Veja bem, pense como se fosse uma dança onde em algumas ocasiões você conduz e outras é conduzido. Os corpos precisam trabalhar juntos para que haja harmonia. Claro que alguns tomarão mais decisões que outros, porém o equilíbrio pode existir.

Não é estranho que apenas uma pessoa tome as decisões em uma vida de casal?

Existem benesses em agir dessa forma: dividir o peso de uma relação, ser mais flexível, parar a correria do dia a dia e enxergar no outro um ser capaz e responsável que tem sonhos, vontades e desejos. A partir do momento em que você enxerga no outro esse ser de possibilidades e o estimula, você o liberta. Assim como um escultor visualiza a sua obra presa dentro do mármore, e esculpe até libertá-la, você também solta as amarras que prenderam por tanto tempo suas asas.

Lembre-se: a vida é uma dança, um teatro. E não é justo se apresentar só.
Porém é nobre dividir os aplausos. E se for a sua vez de conduzir, que seja uma entrega e não uma batalha.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *