Dinheiro-Finanças

Capítulo 6 – Descobri onde gasto, e agora??

Inicialmente escrevemos o capítulo 1 na categoria dinheiro, pois notamos após algumas pesquisas que era o assunto mais buscado. Juntamente com alguns profissionais de finanças, começamos a criar textos de forma didática para que você pense mais a fundo sobre o seu dinheiro. No texto anterior eu sugeri um exercício, que era anotar todos os seus gastos diários em um papel para saber para onde o seu dinheiro está indo. Mas caso você não se lembre ou não tenha lido o texto, é só clicar aqui.

Entretanto, se você não fez esse primeiro exercício, é de vital importância que você faça, pois o primeiro passo é saber o destino do seu dinheiro. Anotar cada despesa, por menor que seja te coloca cada vez mais no controle dos gastos. O dinheiro não “some”, você sabe exatamente onde ele foi. Após um mês (ou mais) de anotações, você pode identificar e cortar os valores gastos excedentes. Vou usar um exemplo dos meus próprios gastos a seguir:

AlimentaçãoLazerContas/Gastos fixos“Besteiras”
R$ 57,25 (Supermercado)R$ 25,30 (Uber)R$ 39,99 (Celular)R$ 17,90 (Milkshake)
R$ 108,90 (Supermercado)R$ 32,11 (Uber)R$ 199,90 (Internet,TV, Fixo)R$ 19,90 (Aplicativo)
R$ 23,75 (Hortifruti)R$ 39,99 (Pizzaria)R$ 210,60 (Ônibus)R$ 16,99 (Chaveiro)
R$ 105,90 (Supermercado)R$ 45,55 (Uber)R$ 16,50 (Deezer)R$ 7,99 (Rolha)
Essa tabela mostra um pouco dos meus gastos excedentes. Sim, peguei Uber demais naquele mês e comprei rolhas que nem serviram na garrafa que tinha em casa.

Conforme vocês podem observar aqui não tem todas as minhas despesas mensais, é apenas um recorte. Porém nesse mês eu gastei mais com Uber do que deveria, além de comprar rolhas de tamanho errado para uma garrafa. Esse mês foi difícil para mim, pois gastei bem mais do que ganhava e acabei me endividando por vários meses. Saber onde foi parar cada centavo da dívida foi de grande importância para saber onde cortar. Sim, esse capítulo tem a ver com cortes.

Descobriu onde você gasta? Hora dos cortes.

Agora que você descobriu para onde está indo o seu dinheiro, é hora de fazer alguns ajustes. Contas fixas devem ser prioridade: água, luz, supermercado, financiamento, escola/faculdade/curso. Nosso cérebro evoluiu com o tempo, mas de forma muito lenta em comparação a tecnologia. De uma forma resumida, somos modernos “homens das cavernas” que não saem mais para caçar e sim pedem comida por um aplicativo. Essa comodidade não existia há 20 anos atrás (ao menos não no Brasil) e muitas famílias inteiras saíam para comer. Existia o telefone, mas a experiência de saírem todos juntos para comer ou compras era bem mais comum. Pense junto comigo: Se o homem das cavernas moderno pode conseguir alimento sem nenhum esforço, o que impede de fazê-lo? Posso pedir comida, comprar roupas, sapatos, qualquer coisa do conforto da minha casa.

O grande problema é que o nosso cérebro acaba viciando nessas sensações (explicando de uma forma bem, bem resumida) e comprar, gastar nos faz sentir muito bem. Deixamos de ser andarilhos há pouco tempo, nosso cérebro ainda não se adaptou a isso. Queremos sempre repetir essa emoção boa de comprar, de ter novidades. Mas infelizmente quando não nos programamos para isso, nos atrapalhamos financeiramente. E num período de crise mundial, deveríamos analisar muito bem nossos gastos hoje para não sofrermos amanhã.

Cortar, substituir e ganhar.

Analisando a sua lista de gastos, você pode optar por três opções:

  1. Cortar: Hora de ver para onde o seu dinheiro está indo e cortar os gastos desnecessários. Eu consegui economizar bastante após cancelar o fixo e a tv, ficando apenas com a internet. Também parei de passar no supermercado após o trabalho, fugi de lojas por uns meses e descadastrei o cartão de crédito do aplicativo Uber. Eu tinha me acostumado a comer pequenos lanches no fim de semana e não fazia ideia. Com as anotações, mapeei não apenas os meus gastos, como também os meus hábitos. Gastava cerca de R$ 50,00 por dia em besteiras nessa época (sem ter esse dinheiro) o que me forçava a ficar sempre no vermelho.

  2. Substituir: Eu parei de almoçar na rua e levei comida de casa. Troquei o metrô por um ônibus, o que me forçou a acordar mais cedo. Troquei de supermercado e tenho em casa um calendário de estações que me diz quais frutas e verduras estão na época. Comprar verduras e frutas de época não me faz apenas economizar, mas também garante que aqueles alimentos provavelmente não precisaram de agrotóxicos para serem produzidos. Um alimento fora da sua estação pode custar até 4x mais caro, talvez mais.

  3. Ganhar: Demorou bastante até eu conseguir pagar essa dívida, e sempre que eu pagava uma parte dela, acabava começando outra. Nunca tinha fim, e eu não sabia que algumas simples decisões bobas como um lanche ou uma ida à papelaria me deixariam tão aflito no fim do mês. Eu já havia cortado o que dava, tinha substituído algumas outras opções, não restava muita coisa, a não ser fazer mais dinheiro. Conversei com alguns amigos próximos e pedi de Natal e aniversário dinheiro como presente, ou o pagamento de uma conta. Tudo bem, sei que pode parecer um pouco drástico, porém quanto mais rápido eu saísse dessa situação, melhor. Em contrapartida, para os que eu não tinha coragem de propor isso, pedi de presente coisas que eu já iria comprar, poupando assim o dinheiro.

Definitivamente naquele momento eu estava chateado. Todos ao redor estavam fazendo coisas legais, investindo. viajando e eu trabalhando 4 horas da minha vida todos os dias para pagar aquela conta. Um sorvete ou uma pizza não deveriam valer tanto tempo da minha vida!

A ressaca pós dívida.

Definitivamente naquele momento eu estava chateado. Todos ao redor estavam fazendo coisas legais, investindo. viajando e eu trabalhando 4 horas da minha vida todos os dias para pagar aquela conta. Um sorvete ou uma pizza não deveriam valer tanto tempo da minha vida!

Posteriormente a junção dessas três situações me ajudou a pagar aquela dívida que só ia aumentando. A lista me fez entender como eram os meus hábitos e os meus gastos, o corte me fez parar com hábitos ruins. A substituição me lembrou que não dá para viver apenas de cortes, tem hora que não há mais nada para cortar. Logo, ganhar mais dinheiro ajudou muito a diminuir o tempo que eu demoraria para pagar a dívida inteira. Agora que você já sabe onde está indo o seu dinheiro, é hora de cortar, substituir e ganhar.

Por fim eu descobri como era difícil se manter firme com gastos desnecessários. Não existe fórmula mágica, é bastante difícil e a vigilância precisa ser constante. Cortando gastos, dei preferência a hobbies que focavam na experiência da situação, e não no que eu ganharia. Decidi que só compraria novos livros após ler os que eu tinha em casa, e que um filme com amigos em casa (antes da Pandemia) conecta tanto quanto uma ida ao cinema. Comer em casa também me fez dar mais atenção á minha saúde e notar que desperdiçava muita comida.

Acima de tudo, é importante frisar uma coisa : Não estou pedindo que corte tudo o que você faz, o brasileiro médio possui um baixo salário e muitas dívidas. A ideia geral é que você, após reconhecer quais são as suas dívidas e sua origem, possa agir para que elas sejam pagas e não aconteçam com tanta frequência. Claro que eu tive contratempos financeiros depois, mas nada como antes pois essa experiência me abriu os olhos.

Entretanto sabemos que nem toda experiência é igual a minha. Cada pessoa vive uma situação com renda, família, condições e realidades diferentes. Para quem não possui uma instrução financeira fica cada vez mais difícil enxergar algumas. Agora que você seguiu o primeiro passo e o segundo, pode adaptar algumas sugestões que eu dei de acordo com a sua realidade. Aliás, essa é uma dica de ouro: Todas as instruções e dicas devem ser adaptadas à sua realidade justamente porque no fim das contas, mesmo que de formas diferentes, todos queremos estabilidade financeira.

3 replies on “Capítulo 6 – Descobri onde gasto, e agora??”

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