Estudantes

Capítulo 14 – Terceiro semestre parte 2: Chegamos no fim da confusão.

Chegamos na parte 2 do terceiro semestre e no fim da confusão. Peço desculpas mas foram tantas disciplinas que eu acabei confundindo algumas (revise clicando aqui). Prosseguindo com uma disciplina de segundo período (que esqueci) e mais três disciplinas de terceiro, fechamos o semestre que foi o pior que já tive.

Nesse semestre eu discuti com a professora, com a colega de grupo, cortei laços com alguns membros da turma e por fim precisava dar aquela respirada longe de todo mundo. Estava feliz em estar com eles em algumas disciplinas, mas também estava feliz de não estar em todas.

Um aluno gritava, outra só sabia falar para o professor das suas idas para a Europa, para a Arábia, para a Islândia, era um saco! Teve aluna que falava verdadeiros absurdos sobre raça, virou um pandemônio. Com alguns problemas na instituição, alguns alunos começaram a fazer planos para trocarem de faculdade e juntaram muitos colegas para irem junto. Até hoje não voltamos a nos falar e não sei se foram felizes na concorrente. Boatos dizem que ganharam 70% de desconto na transferência.

Depois de algumas situações estressantes, notei que tudo que perguntava no grupo da turma não tinha resposta, porém perguntas de outras pessoas tinham. Fiquei um tempo pensando se eu estava sendo odiado por todo mundo ou se era coisa da minha cabeça. Por via das dúvidas decidi deixar de lado e me focar em um curso externo que eu estava fazendo sobre sexualidade. Chegamos finalmente na parte 2 do terceiro semestre e eu só queria o fim de toda confusão.

O curso de sexualidade e os produtos eróticos

Enquanto eu estava na graduação, recebi algumas dicas que me ajudariam a sair dela mais preparado. Uma delas foi esse curso sobre sexualidade que duraria um ano e com uma galera especializada no assunto. Eles estavam aceitando inscrições e a turma seria social com um valor menor. Importante: isso não me torna um sexólogo mas me capacita mais para atender queixas sexuais.

Foram 200 candidatos e apenas 50 escolhidos se não me engano, e eu fui um deles. Na hora da seleção eu não sabia bem o que responder, mas eu sabia que eles adorariam saber que eu me expressava bem e que teria algo a acrescentar como aluno.

Foi então que eu contei a história de uma vez que com pouca grana, fiz cadastro em um site de produtos eróticos e revendi para poder pagar as contas. Sim, por um curto período de tempo eu fui um vendedor de produtos eróticos e eles gostaram muito de saber dessa desenvoltura.

“Você vendia produtos eróticos? Poxa, se soubesse tinha falado para você trazer pra gente”

Banca de seleção do curso para mim

O curso começou e começava contando a história da sexualidade passando por doenças, a repressão da sexualidade e o sexo na atualidade. Queixas de casais, fetiches e procedimentos eram algumas das aulas por todo aquele ano. E uma fala do criador do curso, o Antônio Carvalho foi crucial para mim. Ele nos explicou que a melhor experiência que iríamos tirar daquele curso era a conexão. E sobre isso falaremos em breve, o network. Aliás o perfil dele é esse aqui.

O trabalho dignifica o homem?

A primeira disciplina que vou falar, se chamava Trabalho e Subjetividade. Ela contava um pouco sobre a história do trabalho e como ele foi estudado e modificado através do tempo. Começamos a aula falando dos caçadores e coletores, depois estradas, os impostos, o fordismo e o toyotismo (linhas de produção e melhor produção).

Infelizmente eu achava a matéria muito entediante e decidi não estudar para a prova. Até tirei uma nota boa, e fiz uma coisa que nunca havia feito na vida: deixei uma questão em branco valendo 2 pontos, só por diversão. Sim, eu tinha uma birra enorme com disciplinas relacionadas a trabalho, recursos humanos e similares. Mas no fim deu tudo certo e a matéria foi bastante interessante.

Temas Contemporâneos em Psicologia – Essa matéria foi muito confusa pra mim e por pouco eu não tirei uma nota ruim. Infelizmente tivemos ela em EAD e as explicações não eram nada fáceis. Você estudava sobre as aplicações mais modernas da Psicologia mas na hora do teste as respostas eram praticamente iguais. Muitos textos sobre tipos de famílias antigamente e hoje, e muito texto sobre estrutura familiar. Aliás eu odeio disciplinas EAD e acho que perde-se tanto com elas, inclusive conhecimentos que nunca teremos de volta.

A Psicologia depois de Freud

Abordagens Psicológicas Contemporâneas – Pensa num professor travado. Pois é, o professor dessa disciplina parecia que andava tenso e desconfiado durante a sala, eu não sei exatamente o que era mas era perceptível e todo mundo achava bastante estranho. A matéria era muito legal, falava das abordagens mais atuais que surgiram após a psicanálise.

Descobrimos que um cara chamado Reich (lê-se Ráichi) criou uma forma de terapia que ia além da palavra e identificava “couraças” de resistência no corpo humano utilizando também massagem. Descobrimos as psicoterapias baseadas nas relações familiares, psicoterapias positivas e muitas outras. O professor parecia perdido às vezes porém a prova dele era muito fácil. Se você lesse os textos, estava tudo ali.

Infância e Adolescência – Ok, eu inverti a grade e fiz envelhecimento primeiro, com uma professora super confusa, logo imaginei que seria igual na aula de infância. Ledo engano, foi uma das melhores disciplinas que já tive na faculdade. Nessa disciplina a professora que priorizava o social e a turma era muito pequena (cerca de 10 pessoas) o que deixou tudo melhor.

Tínhamos atenção total, grupos pequenos de trabalho e liberdade de conversa na aula. Descobrimos coisas fantásticas como a história da infância no Brasil, desde o descobrimento até hoje. E não falamos de crianças europeias, falamos de crianças filhas de escravizados, de crianças e adolescentes moradores de rua. Senti alguma falta de aspectos biológicos porém fiquei muito satisfeito com a disciplina e o foco no social e nas crianças brasileiras e reais, não aquelas de comercial de margarina.

As escadas de incêndio, meu refúgio

Certo dia estava meio chateado pela faculdade e essa professora da disciplina acima veio conversar comigo. Eu disse a ela que não estava bem, estava com alguns problemas e às vezes para evitar falar com muita gente eu fugia para as escadas de emergência. As escadas de emergência da faculdade eram meu esconderijo quando eu não queria ver ninguém ou quando estava mal.

Ninguém nunca ia pra lá, alguns nem sabiam da existência do local, o que me dava um lugar perfeito para ficar. Ao contar do esconderijo para a professora, ela me disse que quando estivesse chateado era pra chamar ela para sentar comigo. Ela me passou seus horários e disse que quando precisasse era só chamar ela para a escada, para batermos um papo

Em 1 ano e meio de faculdade, ninguém jamais havia demostrado uma forma de acolhimento como essa. Nesse dia eu percebi o que separa um profissional mediano de um excelente!

*Como o SEO (algoritmo de escrita) me obriga a repetir pela terceira vez para ficar bem no Google: Chegamos finalmente na parte 2 do terceiro semestre e eu só queria o fim de toda confusão.

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