Estudantes

Capítulo 13 – Terceiro Semestre

E finalmente chegamos ao terceiro semestre da faculdade de Psicologia, um dos piores semestres da minha vida!! Treta com alunos da turma, me afastei de todo mundo e me irritava super fácil com coisas bobas. Tudo começou no semestre passado e seguiu até o início do terceiro onde eu retornei o contato. O esquema trabalho + faculdade + 3 horas de ônibus por dia + 4 horas de sono estava me esgotando. Acabava ficando muito cansado, dormi em algumas aulas e tinha que correr atrás do conteúdo. Sem paciência, me irritava com alguns alunos que faziam grupos na turma e adoravam gritar nas aulas. Escutei de cerca de 20 alunos a seguinte frase: Eu esperava mais empatia na turma de Psicologia. Sim, o amor acabou. Eu precisava de um divórcio!

IMPORTANTE

Na postagem do semestre anterior eu acabei me atrapalhando, misturei algumas matérias do segundo semestre com o terceiro. Por isso a postagem de hoje vai resolver tudo. Infelizmente como são muitas matérias, o post será escrito em duas partes. Na época eu troquei uma quarta-feira de aula e isso fez a minha grade de matérias enlouquecer, me perdi da minha turma. Algumas aulas eu fazia com eles mas a maioria eu fazia com uma turma nova e mais avançada. Felizmente essa distância me fez entender que talvez nós esperávamos encontrar psicólogos formados, quando na verdade uma turma de Psicologia é formada por pessoas comuns. Pessoas que erram, acertam, fofocam, gritam, mas que estão ali como eu para aprender. Se você for estudante, uma dica: cuidado com as expectativas que você terá. No fim do dia são apenas pessoas comuns como você!

Terceiro semestre parte 1

Como eu disse acima, acabei misturando as disciplinas pois não estava com a lista atualizada comigo. Analítica Comportamental não foi feita no 2º semestre e sim no terceiro semestre. Não vou falar sobre ela pois já falei no post anterior, mas basicamente falamos sobre punição, reforço, hábitos aprendidos, evitação, luta e fuga.

Eu fiz 7 disciplinas no terceiro semestre, sendo 5 presenciais e 2 na modalidade EAD (ensino a distância). Uma delas já foi falada anteriormente, então falarei de 3 disciplinas nessa postagem e mais 3 na próxima para o texto não ficar tão cansativo e longo.

Saúde Coletiva – Essa disciplina foi online e acho que não deveria ter sido. O SUS é um sistema monstruoso em tamanho e ramificações. Ensinar sobre o SUS e sua história, sobre a reforma sanitária, sobre o sistema de saúde é muito complicado para vídeos super curtos e e-books gigantescos.

Uma das coisas que eu descobri nessa disciplina foi que o SUS se empenha em epidemiologia (estudo da propagação de doenças) e pesquisa. Aprendemos mais sobre a vigilância sanitária e sobre os determinantes sociais (voltaremos neles depois). Descobri que o SUS contempla práticas alternativas de saúde (reiki, homeopatia, acupuntura) que levantam debates calorosos sobre a sua eficácia.

Também soubemos mais sobre as equipes de saúde da família e os níveis de prevenção de doenças. Pense numa situação: você está lendo esse texto no seu celular mas você tropeçou, caiu e se machucou. Se vier uma ambulância te buscar, você está usando os serviços do Sus, independente de você ser brasileiro ou não. Mas teremos um texto inteiro sobre o Sus mais a frente.

A disciplina foi um pouco pesada mas muito interessante, tanto que na minha opinião ela deveria ser dada no ensino médio. Assim os adolescentes já teriam contato com a história do SUS, seus benefícios que desfrutamos diariamente e como ele precisa ser preservado.

A “carrasca” do RH

Todo mundo que estuda acaba pegando um professor que é rígido demais, que às vezes é ríspido em alguns momentos ou que apenas é um professor babaca mesmo. Eu sabia que era apenas questão de tempo para isso acontecer e resolvi criar uma forma de lidar com esse tipo de professor: ignorar e focar no final.

Infelizmente na graduação se você discutir com um professor, pode ser que encontre ele novamente no meio ou final do curso e pode ser que ele fique te perseguindo. Não é comum, não acontece tanto mas eu queria evitar isso a qualquer custo. Então caso isso acontecesse a minha estratégia seria ignorar todas as situações e focar apenas em passar na matéria. Eis que eu encontro com a professora da matéria de Intervenções em Contexto Organizacional e aí começa o meu inferno às vezes particular e às vezes coletivo.

Essa matéria basicamente fala sobre como o profissional de Psicologia pode lidar com patrões e funcionários de uma empresa. De um lado temos alguns gestores que não querem nada além de resultados, só aceitam profissionais das faculdades federais sendo que eles mesmo cursaram faculdades particulares.

Segundo esses gestores eles só contratam os melhores que são das faculdades federais, mas seguindo essa regra nem eles mesmo se contratariam. Querem resultados, lucro alto e cortes rápidos com alta produtividade e delegam isso ao profissional de Psicologia. Por outro lado temos alguns trabalhadores com questões internas, brigas entre membros de equipe, dentre outras situações que acabam deixando o ambiente de trabalho tenso e improdutivo.

O profissional muitas vezes fica no meio de toda essa situação tentando promover um ambiente de trabalho mais digno para o funcionário. Ao mesmo tempo ele também ajuda na entrevista, pode aplicar testes nos candidatos e sugere ações que tornem o local de trabalho melhor. Nem todo gestor é um chefe ruim, óbvio mas temos que ter em mente que devemos equilibrar o interesse da empresa com o bem-estar dos funcionários.

Pois eis que na primeira a aula a professora solta que não é necessário curso de Psicologia para ser um psicólogo. O alerta de estranheza soou na minha cabeça pois até onde eu sei, precisa sim. Depois de questioná-la em particular ela disse que estava falando de outra profissão, o psicanalista. Nas aulas seguintes eu notei algumas falas e respostas sarcásticas e ásperas dela.

Tudo bem, quem nunca teve um professor grosso ou rude? Alguns alunos notavam, reclamavam em particular mas nada além disso. Depois começaram algumas frases estranhas: “Você não é RH (recursos humanos) de verdade se não foi no seu campo de trabalho, me desculpa” . Ou “Eu não vou te ajudar com o trabalho, senão eu estaria fazendo para você” disse ela, no dia de tirar dúvidas sobre o trabalho.

Respirei fundo, xingava a senhora mentalmente e tentei seguir em frente sem falar nada, afinal se eu discutisse poderia encontrar com ela novamente no futuro em outra disciplina. Todo trabalho que eu levava para ela nunca estava certo e ela decidiu que daria falta aos alunos após 15 minutos de atraso. Fiquei com uma nota baixa e tive que fazer a “prova de recuperação” da matéria dela.

Enquanto passava pela situação, eu a apelidei carinhosamente de demônia. Infantil eu sei, mas era o que me deixava melhor na época e evitava que eu surtasse e discutisse com ela em sala. A vida de estudante é estressante e na época de provas tudo fica muito muito pior. No dia da “prova de recuperação” uma das questões estava com um enunciado dúbio, confuso. Quando fui questionar ela não quis responder dizendo que a questão significava o que estava escrito, mas felizmente eu tirei nota o suficiente para passar e me livrar dela.

Eu já não morria de amores pela disciplina relacionada a área organizacional e depois dessa situação tudo piorou. Tive discussão de trabalho em grupo, estava afastado da minha turma e tudo me irritava profundamente. Houve uma discussão com uma aluna do meu grupo na sala que mexeu muito comigo.

A professora se comportou de forma grossa e rude, e a aluna decidiu não retornar mais para assistir às aulas. Nós éramos do mesmo grupo e ela estava passando por muitos problemas. Bateu o carro, terminou o casamento e aquela discussão com a professora foi a gota d’água. Essa história teve um final muito complicado, mas eu consegui passar, me livrar dela e reencontrei a minha turma como vocês verão a seguir.

Psicanálise e o terceiro semestre

Passado um semestre sem a minha turma, uma das poucas disciplinas que encontraria com eles seria a de Psicanálise mas infelizmente não haviam vagas restantes. Após sair de uma aula dei de cara com toda a minha antiga turma que ia ter aula na mesma sala porém de Psicanálise.

Fiquei bastante feliz em revê-los e depois de quatro amigos insistirem bastante eu decidi assistir à aula de penetra com eles. Foi ótimo estar com todos de novo e após a aula eu fui na secretaria para ver se haviam sobrado vagas. Um dos pulos do gato das turmas esgotadas é que na primeira semana sempre saem alunos, sejam transferidos ou desistentes. Claro, tive alguns aborrecimentos na disciplina com integrantes específicos mas no geral foi bom vê-los ao menos em uma disciplina.

Esse capítulo está saindo mais íntimo e catártico do que o planejado, mas felizmente fazer Psicologia é isso: ficar vulnerável, gostar e não gostar, se aborrecer com trabalhos em grupos mas também crescer com tudo isso. Esse ficar vulnerável que muitos alunos não se permitem, é importante para que você se conheça. Até a escrita aqui é estar vulnerável e também me ajuda a entender melhor esse período, mesmo que posteriormente.

Voltando à Psicanálise, talvez você já tenha ouvido falar de um cara chamado Freud (lê-se “Fróid”) que estampa muita coisa da cultura pop, um barbudo em fotos preto e branco. Bom, em 1900 Freud que era médico estudava uma doença muito estranha que aparentemente não possuía cura física chamada neurose.

Buscando respostas para a neurose ele viajou o mundo e descobriu que algumas pessoas após hipnotizadas poderiam fazer coisas que não poderiam fazer quando acordadas. Freud voltou e começou a aplicar a hipnose em seus pacientes tendo um enorme sucesso e melhora dos quadros de neurose. Depois de ir aperfeiçoando a técnica Freud decidiu abandonar a hipnose e tentar outras formas de encontrar a origem dessas doenças que aparentemente não estavam no corpo e sim na mente dos pacientes.

Posteriormente ele deitou uma paciente num divã (pensa num sofazinho com recosto) que foi falando, falando e falando enquanto aqui e ali iam surgindo algumas pistas. Freud foi cavando fundo na mente dos pacientes e descobriu que parte de seus problemas estavam relacionados a traumas que estavam escondidos em sua mente. Uma boa parte desses traumas eram relacionados com a infância e envolviam sentimentos pelos pais dos pacientes.

Dessa forma ele criou a Psicanálise que investigava a mente dos pacientes, curando traumas enquanto analisava comportamentos que a medicina até o momento não dava tanta atenção. Analisando sonhos, brincadeiras, erros ao conversar e até os estágios desde a infância, Freud conseguia grandes avanços em seus pacientes.

Revolucionando a medicina, Freud contribuiu muito também para a Psicologia popularizando a “cura pela fala”. Importante lembrar que a Psicologia na época era muito focada ainda em análise em laboratório, sensações, percepções, estudos do cérebro e fisiologia. Freud surgiu como um grande nome e fez contribuições grandiosas para a Psicologia.

Para ser psicanalista você não precisa fazer faculdade de Psicologia, mas nós estudamos Freud (e outros que vieram depois dele) como uma homenagem. Enquanto em 1905 era fundada a cidade de Las Vegas nos Estados Unidos, Freud já estava a discursar sobre seus estudos, teorias e os mistérios da mente humana.

Obrigado por ler até aqui, os capítulos que falam sobre os semestres da faculdade realmente acabam ficando muito grandes, mas espero te ver na próxima. Caso você não nos siga no Instagram, clique aqui porque estamos preparando pequenas surpresas em breve! Você também pode conversar comigo, dar a sua opinião e sugerir assuntos que estejam dentro das categorias. Um grande abraço e até lá!

4 replies on “Capítulo 13 – Terceiro Semestre”

  1. The next time I read a blog, Hopefully it doesnt fail me just as much as this one. I mean, Yes, it was my choice to read through, but I actually thought you would have something useful to say. All I hear is a bunch of moaning about something that you could fix if you werent too busy searching for attention.

  2. Queria eu ter gravados ás matérias/disciplinas em relação ao período que eu referente, mas mesmo que eu tentasse, ia ser baita confuso, pois eu sou transferido de uma faculdade para outra. Mas, pouco importa hoje em dia, o importante saber que…
    Realmente, a disciplina de Saúde Coletiva, sim, deveria ter um “plus”, um complemento, algo que deixasse ela mais palpável para nós estudantes, até mesmo “mastigável”, pois, tanto a história do SUS, seus conceitos,até mesmo as “trocentas” nomenclaturas, faz com que a matéria além de ser extremamente conteudista, uma verdadeira decoreba, infelizmente. Obviamente, algo tanto importante e privilegioso para nós brasileiros(afinal, não é todos os países do globo que tem saúde pública para todos) iria ser resumido em uma única disciplina, no decorrer da faculdade, esbarramos o tempo inteiro com os preceitos dos SUS.
    Ah, a Psicanalise, eu posso considerar como “você ama ou odeia”, vale até a pena, conversar sobre esse tema, de forma individualizada. Para mim, infelizmente, não bateu; tive a questão do afastamento logo de primeira pelo simples fato de “não gostar” como também, acabei me enrolando nos conceitos mais básicos, e foi inevitável a reprovação, quando comecei a entende-la, era tarde demais. A psicanalise Freudiana é assim, não tem dá espaço iniciar em qualquer ponto, de obriga a iniciar do início, e “aí” de você esquecer ou até mesmo não lembrar. Mas, é muito interessante saber que quase tudo partiu daquele momento, o sonho, o divã, o inconsciente, o famoso id/ego/eu entre muitos e muitos conceitos tão famosos e falados ainda hoje, e que dependendo da sua escola e/ou da sua abordagem por gerar pequenos “reboliços” amistosos.
    Mudando totalmente de assunto, de disciplinas para alunos, eu sou um apoiador que o aluno se misture, infelizmente(na maioria das vezes) o(a) aluno(a) não pode frequentar ás aulas em turnos alternativos, por força maior(pessoal, financeiro, trabalho, vaga, matrícula, contrato e etc),mas se houver esse a possibilidade , faça ! E, se surpreenderá com as diferenças, idade x maturidade x dedicação x volume de alunos x vestimentas e entre outros muitos fatores. Entre diversos momentos da vida de universidade acabamos se reparando em alunos(as) de períodos iniciais em turmas de disciplinas de períodos mais avançados, a obviamente á aquele “choque”; o “não enquadramento” mas é surpreendedor o quanto vai ser esse/essa vai se desenvolver como profissional e como pessoa, o mesmo equivale quanto saímos da nossa zona de conforto.

    1. Oi Igor, boa noite Obrigado pelo comentário.
      Sim, seria muito interessante se pudéssemos ter esse intercâmbio com os alunos de outros períodos, seria muito instrutivo e edificante. Sobre a psicanálise, ela realmente é muito importante na história da Psicologia, e merece mesmo muito estudo aplicado e dedicação. Que pena que você não “amou” de primeira.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.